Folha publica artigo do diretor de Compliance da J&F

Com o título “Mudar as empresas para mudar o país”, o diretor de Compliance Corporativo da J&F, Emir Calluf Filho, publica artigo, de sua autoria, no jornal Folha de S.Paulo.

Confira, a seguir, a íntegra do texto, veiculado na edição do dia 4/7/2018, na página A3, na seção Tendências&Debates.

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Mudar as empresas para mudar o país

Um dos maiores escândalos corporativos da atualidade foi o famoso dieselgate da Volkswagen. Em 2015, veio à tona que softwares haviam sido instalados nos veículos da montadora para fraudar testes de emissões dos motores a diesel. A revelação derrubou o valor das ações da empresa em quase 50% e acarretou perdas de US$ 30 bilhões — sem contar o dano reputacional, que, embora difícil de ser quantificado, influencia nos resultados.

Reparar reputações é um grande desafio, pois exige mudanças profundas e iniciativas que demonstrem novas práticas. O Grupo J&F não resistiu e cedeu a achaques em níveis diversos. Depois de ter de lidar com colaborações que trouxeram à luz fatos que chacoalharam o país, ficou uma certeza para a companhia: mudanças tinham que ser feitas, e os fatos ocorridos no passado não devem se repetir.

Emir Calluf Filho: “Fatos ocorridos dentro da J&F não devem se repetir”

Missão árdua, mas é nos caminhos mais duros que se encontram as maiores recompensas. Hoje, para a J&F, não existe espaço para erros: a meta é não repetir os percalços do passado e combater qualquer possibilidade de que algo em desacordo com as normas internas e externas se repita. Compliance não se resume a códigos de conduta que empoeiram em prateleiras; é preciso integrar as normas à cultura da empresa.

Para um programa completo, todos os elementos são necessários. Como se viu na maioria dos escândalos recentes, as empresas possuíam códigos e canais de denúncia, e nem por isso evitaram que diversos problemas ocorressem. Instrumentos por si só não são suficientes. É fundamental um real comprometimento da organização.

A J&F, além das diversas ações que vem fazendo para implementar uma governança forte, está cumprindo as penalidades pelo que fez. Os dois acionistas da holding já iniciaram o pagamento da multa de R$ 10,3 bilhões — a maior do gênero no mundo. Também inédito, empresa e Ministério Público Federal concordaram em destinar R$ 2,3 bilhões do total a projetos sociais no Brasil —o maior montante direcionado a projetos sociais na história do país.

Outra obrigação prevista são investigações internas independentes que envolvem escritórios de advocacia e especialistas em análise forense e auditorias —que já consumiram cerca de R$ 40 milhões.

Quando o assunto é compliance, os EUA são exemplo global com a lei anticorrupção de 1977. Apesar disso, e de terem tido escândalos corporativos significativos, nada se compara às proporções do que ocorreu no Brasil, com envolvimento direto do setor público.

Dessa forma, o país poderia se projetar como protagonista do compliance mundial usando os exemplos para aprimorar a técnica. Implementar um programa eficaz de integridade no maior grupo privado não financeiro do Brasil é uma oportunidade para uma geração que se cansou das mazelas da nação e anseia por dias melhores.

Ao mudar os rumos de um gigante com 240 mil empregados, líder mundial no principal setor em que atua, não se muda só a empresa. Cria-se um guardião de um mercado, capaz de mudar o seu segmento e —por que não? — ajudar a mudar o país.

Emir Calluf Filho é advogado, especialista em integridade corporativa e diretor de Compliance do Grupo J&F.